4.29.2009

Not so fast, not so young, always beautiful

Quando insistem para eu tirar a carta de condução (um documento datado para nos pôr no perigo das estradas nacionais), lembro-me sempre do dia em que prometi morrer no auge da beleza, qual Jimmy Dean em versão melhorada. Arquivei a nota mental de que também o faria ao volante de um Porsche Spyder, quando sentisse o meu poder de atracção a desaparecer. Foi o erro - os anos só passam para me ver cada vez melhor. E mais longe do volante.

4.24.2009

Small smile, big reason

Há vários meses que sou perseguido pela mesma sensação: quando vou vestir roupa interior as peças sorriem. De tal maneira que ontem fui consultar uma psicóloga. Ela disse que era perfeitamente compreensível. Depois sorriu.

4.23.2009

Enter sandman

O que me aborrece na praia é que a areia agarra-se muito a mim.

4.21.2009

I'll teach you

Com o Governo tão empenhado em escrutinar o trabalho dos docentes, torna-se revoltante a maneira como anda há anos a retirar-lhes autoridade. Compreendo perfeitamente a frustração dos professores, fustigados com estudantes cada vez mais preguiçosos, burros e insolentes. Eu, que dou aulas de Chico Moore há vários anos, estou solidário: também tenho outro entusiasmo quando as alunas são boas.

4.20.2009

Preferiam ver-nos de bossa?

Quem passa os dias no ginásio tem a vantagem de poder desenvolver os músculos sem oposição - à volta deles está o ar vazio, pronto a ser ocupado por toda a massa muscular que vier. Já quem prefere exercitar o cérebro (a ler ou a comer coordenando faca e garfo), depara-se com o drama: existe uma coisa chamada caixa craniana a bloquear o crescimento da massa cinzenta. Ora isto provoca um fenómeno comum, muito injustamente criticado: o aumento da barriga. Como se nós, os adeptos do treino do neurónio, pudéssemos deslocar aquela massa de inteligência em expansão para outros sítios. Ergo, o ventre dilatado. Ergo, estimem-no.

1.01.2009

Of mice and men - We shall prevail

O problema dos que se julgam donos do mundo é que cometem sempre um erro. Al Capone esqueceu-se do IRS, mas isso só o pôs uns tempos na cadeia. O seu deslize fatal foi outro: morreu de sífilis porque tinha a mania de testar as prostitutas que entravam para o seu grupo empresarial. Mais ou menos a mesma história de Pinto da Costa, embora neste caso os problemas causados por meretrizes tenham vindo antes da cadeia.

Até há poucas semanas, o meu mundo permanecia nas patas de um provocador com tendência para dar baile. Depois da fuga acrobática do balde do lixo, não mostrou sinais de trauma. Pelo contrário, fez gala em alimentar-se lá ainda mais frequentemente. Quando eu chegava à cozinha, brindava-me com os saltos que desafiavam a gravidade, parando no ar à Michael Jordan para me gritar em ratês de gueto: "You're my bitch!".

Até que houve o salto imperfeito. Cálculo, potência, direcção, não importa - correu mal. E, numa centelha de segundo, captei-lhe a expressão de pânico, enquanto punha a tampa a fechar o caixote."Who's your bitch now?"

Durante uma semana, todos os dias abria uma frincha para despejar doses maciças de venenos radioactivos lá dentro. Quando o Raid acabou, tirei a tampa. O saco estava a abarrotar de caganitas, o rato magríssimo. A autópsia dirá que o choque tóxico constituiu a causa de morte, mas eu e ele sabemos a verdadeira razão: borrou-se de medo.

Hoje, de volta ao computador, vou começar a escrever a minha teoria sobre a origem do Universo (ou procurar golos do Eusébio no Youtube). E com esta nova tranquilidade sei que... hmm, que barulho foi este? O saco do lixo?

11.28.2008

Of mice and men - War never changes

Pouco a pouco, acreditei estar a salvo. Desde o fiasco com os russos, nunca mais pus os olhos no meu inimigo roedor. Num desaparecimento tão surpreendente como a sua vinda, esfumou-se sem explicação. Teria fugido? Ou estaria morto por razões desconhecidas? O veneno fez finalmente efeito? Foi atropelado? A Manuela Moura Guedes sorriu-lhe?

Nada soube, acabando por acreditar que o sumiço era definitivo. O meu subconsciente, porém, continuou a trair-me. Um incómodo latente fazia-me ver sombras em passagem rápida junto ao chão, ouvir ruídos estranhos, permanecer inquieto em casa. Até que no Verão passado o meu nemésis regressou.


Deitado no banho de imersão, fechei os olhos e abandonei-me à serenidade. Um pequeno guincho, sussurrado mas alto o suficiente para ressuscitar pesadelos, despertou-me. Olhei para o lado e, no rebordo da banheira, lá estava ele, toalhita branca ao pescoço e cauda a abanar com desdém. Seria o inimigo ancestral ou um descendente para recriar a maldição? Não sabia, mas o estilo era idêntico: o sorriso trocista, a forma como dançava o can-can em frente à TV, todo um arsenal de provocações baratas para me destruir os nervos.


Após quatro anos de enganadora tranquilidade, as trincheiras tinham voltado ao meu dia-a-dia. Sitiado no subvertido descanso do lar, vivia em sobressalto caseiro. Uma vez, com o calor no seu pico estival, resolvi repousar no sofá da sala. Nu. Infelizmente, ele também lá estava. Assustámo-nos ambos, mas o deslize supersónico no meu baixo ventre foi certamente mais traumatizante para mim.


A dada altura, submeteu-me ao martírio psicológico extremo, com a tortura dos sacos plásticos. Sempre que ia para o computador trabalhar no meu plano de resolução do aquecimento global (ou ver lutas na lama na net, a minha memória é difusa), ouvia sacos plásticos a serem mexidos. Por mais rápido que fosse à cozinha, quando lá chegava reinava o silêncio absoluto.


Ao fim de várias semanas, apanhei-o em falso - tinha ficado preso dentro do balde do lixo. Num ápice, fez-se luz. O barulho do saco plástico vinha do caixote do lixo, que ele transformara em restaurante privado. Aos saltos desesperados para sair de lá, nem reparava no meu olhar de triunfo, antecipando a vingança mais cruel. De súbito, sem que eu tivesse tempo de reagir, inventou um salto à Jackie Chan, projectando-se contra as paredes do balde (que tinha 15 vezes a sua altura). Saiu de lá com dois mortais empranchados à rectaguarda e uma aterragem sem mácula. O júri da República Checa deu-lhe um 10 perfeito, eu fui para o quarto chuchar no dedo em posição fetal.

11.13.2008

Of mice and men - And virtue, though in rags, will keep me warm

No dia seguinte à invasão acordei tenso. Após 30 minutos de rituais da manhã - treino de boxe, 10km de jogging, composição de um soneto sobre Cinha Jardim, Santana Lopes e aterros sanitários - aproximei-me da porta do escritório. O rato com asas ficara lá fechado, sem oposição, porque não me sentira com forças para enfrentar o problema. Empurrei a porta e afastei-me. Nada. Corri para dentro da divisão e voltei a sair. Nada.

Quatro horas depois, com o escritório todo examinado, não havia vestígio da fortaleza voadora. E bateu-me: rato com asas! Pútrido e repelente, mas ágil e maleável. Pela frincha da porta, escapulira à procura de novas vítimas. Para longe, se alguma sorte desta guerra estivesse do meu lado. Chamei uma brigada de desratização - três homens - e pu-los a passar a casa a pente fino. O rato com asas talvez ainda lá andasse e o outro, o vaidoso de quatro patas, sem dúvida estava por perto. Sorrateiro, cínico, furtivo.


Ao fim do dia, exaustos e frustrados, os homens da brigada garantiram-me que a casa tinha sido toda inspeccionada. Não havia inimigos à vista. Desconfiado, enchi um prato com fatias de chévre, serra, azeitão e parmegiano. Pousei a tábua de queijos no chão da sala e esperei. Um minuto depois, ouvi um ruído. Virei-me para trás, corri até à cozinha. Falso alarme. Voltei à sala e peguei na tábua. Dos queijos, já nem o cheiro.


No dia seguinte, um russo que me devia favores - ajudei-o a salvar uma garrafa de vodka das garras do Ieltsin - chegou a minha casa com 11 colegas. Tinham feito limpezas em Chernobyl. Pediram-me o ok para utilizar um produto radioactivo "levemente nocivo para humanos", letal nos ratos. Disse logo que sim. Quando começaram a espalhá-lo, porém, Sergei, o calmeirão com 1,98 m de Vladivostok, foi puxado algures do chão para um minúsculo buraco. A equipa só conseguiu recuperar uma tíbia. Acharam melhor voltar para a Rússia.


Sozinho em casa, continuava sitiado pelo inimigo.

11.12.2008

Of mice and men - A date which will live in infamy

O primeiro ataque foi há quatro anos. Vil e traiçoeiro, na noite quente. O calor intenso de Agosto em Lisboa fustigava as minhas águas furtadas, obrigando-me à nudez doméstica. Contrariando a indolência, sentei-me em frente ao computador, prosseguindo a minha investigação da cura do cancro (ou a jogar World of Warcraft, não me recordo bem).

De súbito, o horror alado invade-me o escritório. Eles vieram pelo ar! Ao princípio, não percebi bem o que era. Um pombo? Um pardal? Havia algo estranho no voo invasivo, uma leveza imprópria das aves. A resposta rastejou no meu encalço - um morcego arrastava-se junto ao solo. Aquele sinistro rato com asas vinha na minha direcção, movido por um qualquer instinto assassino. Nu em frente àquele pedaço de repugnância, senti-me ainda mais vulnerável.

Desconcertado, agarrei no telemóvel para pedir ajuda. Deitado no sofá da sala, despejava o meu relato do horror, perante a incredulidade de quem me ouvia. Foi então que ele entrou na sala. Atrevido. Cabotino. Desafiante. Este vinha sem asas, mas a agilidade no solo não tinha rival. À minha frente, com a língua de fora e a pata a agarrar os genitais, outro rato gozava com a minha cara.

O telemóvel ficou sem bateria. Sozinho em casa, estava sitiado pelo inimigo.

11.10.2008

Como domar a Naomi 5

Naomi - Quero mais.
Moi - Não dá.
Naomi - Então vou de vez. Estou farta de ser só a tua amiga colorida.

11.03.2008

Taxi driver

Moi - Para o aeroporto, por favor.
Taxista - Dr. Chico! Esperei anos por este momento! Vê-lo no meu humilde meio de transporte enche-me de júbilo e agradeço aos deuses terem-me dado inspiração para limpar os bancos traseiros hoje de manhã. Recebê-lo aqui e poder ser um grão de areia envolvido no seu destino cósmico é a justificação de uma vida. Dr. Chico, a partir de hoje morrerei como um homem feliz e realizado!
Moi - Hmmm, não tem um discurso mais característico disponível?
Taxista - Com certeza, Dr. Chico. Prefere "Impropérios genéricos sobre minorias raciais", "Aforismos sarcásticos sobre condução no feminino" ou o clássico "O mundo seria limpo se eu estivesse no comando"?
Moi - Por acaso estava a pensar numa opção mais original.
Taxista - Ah, tenho uma que vai surpreendê-lo: "Criacionismo versus Darwinismo: a visão simiesca do fogareiro em brasa".
Moi - OK, vamos a isso. Acorde-me quando chegarmos ao aeroporto.

Santo mas não tanto

Criança - Pão por Deus!
Moi - Diz à tua mãe que não me troco por tão pouco.

10.30.2008

Viciados em mim

Depois do fiasco com a rainha de Inglaterra, quis deixar de beber. Infelizmente, não consigo ser bem sucedido como alcoólico anónimo - nas reuniões, reconhecem-me sempre.

10.28.2008

E a seguir lavam a louça

Carrie - Nesta posição tenho os sapatos em tensão, estou a dar cabo da fivela! Charlotte - Ainda bem que trouxe uma saia comprida, sempre poupo os joelhos.
Miranda - Os meus estão a ficar assados, devia ter feito o mesmo! A fricção na carpete está a matar-me!
Carrie - Acho que vou descalçar-me, gastei uma fortuna na sandalita!
Charlotte - Cof, cof! Raça de pêlo! Já tenho o esófago inflamado!
Miranda - Vá lá, Samantha, deixa um bocadinho para nós!
Moi - Pouco barulho, meninas! O Cardozo está a explicar como marcou aquele cabeceamento fantástico.

Sem cuecas nem soutien

Sandokan - Foi uma péssima ideia virmos para aqui. Moi - Tens medo da selva indiana?
Sandokan - O Tremal Naik avisou-me que isto não é para meninos, só isso. Sou cauteloso.
Moi - Relax, estou cá eu.
Sandokan - Por favor não te afastes muito.
Moi - Vieste armado?
Sandokan - Só este punhalzinho.
Moi - Punhalzinho? Essa coisa com lâmina de 40 cm?
Sandokan - É pequeno, olha lá bem.
Moi - Vira isso para outro lado, ainda alguém se aleija.
Sandokan - Nem pensar, sou muito controlado e...
Moi - Cuidado, um tigre!
Sandokan - Aiiii!
Moi - Grande salto, és o maior! Limpaste o bicho no ar!
Sandokan - Já foi embora, já?!?
Moi - Mataste-o. Como é que... essa mancha nas tuas calças é xixi?

Luzes. Câmara. Demasiada acção.

Houve uma fase em que apresentei telejornais sem gravata. Sem problemas. Depois desapertei um botão da camisa. Foi o meu erro. Descobri dias depois cópias das emissões à venda em sex shops e abandonei a vida de pivot.

Afastem-se, vai rebentar a qualquer momento!

Está cada vez mais inchado. Até experimentei massagens, mas aumentou ainda mais. Alguém sabe como se reduz o ego?

Brad, espera lá fora

Brad - Não acho nada boa ideia.
Angelina - Já falámos sobre isto, prometeste que não serias conservador.
Brad - Concordei em adoptarmos mais uma criança, não um marmanjo com quase 40 anos!
Angelina - Olha para a carinha dele, tão amoroso! É impossível resistir-lhe.
Brad - Querida, pensei que só adoptávamos em países do Terceiro Mundo. Quem é que passa por Lisboa e leva uma "criança" destas?
Angelina - Vamos em frente e não se discute mais! Ainda por cima chama-se Chico Moore, é lindo! E muito internacional, podia ser de qualquer país.
Moi - O Bebé está com fome!

Brad - Em casa! Já estava com saudades do nosso rancho, estas viagens intermináveis pelo estrangeiro cansam-me.
Angelina - Tenho que dar de comer ao miúdo, prepara-me um biberão.
Moi - O Bebé detesta biberão, quer o método tradicional!
Angelina - Hmm, vou ver o que se arranja. Brad, leva-me os miúdos lá para fora. O Chiquinho está muito agitado, quero acalmá-lo.
Brad - Mas, mas...
Angelina - Rápido!

Angelina - Finalmente juntos sem mais ninguém. Estás pronto para a hora da mamada?
Moi - (sorriso)

10.24.2008

Not so silent night

Duende - É verdade, Chico! Moi - Impossível, tem de haver distribuição de prendas.
Duende - Ouvi da boca do próprio Pai Natal.
Moi - Portanto, as renas morreram todas e não há hipótese de arranjar outras?
Duende - Nada! O Barbas estava um caco, disse que foi uma loucura incontrolável!
Moi - Por causa do viagra?
Duende - Dos, dos viagras! Tomou dois para surpreender a mulher, mas quando chegou a casa só encontrou um bilhete a dizer que ela tinha ido ao shopping. Depois - confessou entre lágrimas! - passou pelo estábulo e viu as renas...
Moi - Sabes que mais? Não acredito no Pai Natal.

Ripley's game

Moi - Querida, se queres cá ficar a dormir mais vezes, tens de corrigir uns pormenorzitos. Ripley - Ressonei?
Moi - Hmm... não, só me acordaste algumas vezes com os teus gritos de "mato-vos a todos, cabrões!".
Ripley - Foi grave?
Moi - Nem por isso. A ideia de fazeres torradas com raios plasma é que me aborreceu. Destruiste o balcão da cozinha e queimaste as naturezas mortas do Rembrandt e do Van Gogh.
Ripley - Desculpa, maus hábitos.
Moi - Depois, há o sexo.
Ripley - A sério? Tenho adorado.
Moi - A tua insistência em atares-me e apontares-me a arma à cabeça perturba-me um pouco. Foi giro as primeiras três horas, mas a partir daí ficou monótono.
Ripley - Manias, prometo tentar corrigir-me.
Moi - Por fim, temos o teu Bóbi.
Ripley - Esqueceu-se de usar o caixote outra vez?
Moi - Pior. Tens mesmo que fazer qualquer coisa em relação à baba dele. Deu-me cabo do tapete persa.